SBPC 2026: jovens da educação básica ocupam maior evento científico da América Latina

Redação OJC&T: Cláudia Marapodi - EPSJV/Fiocruz | 26/10/2026 14:16:48
Pessoa apresenta uma palestra em auditório, falando ao microfone diante de uma projeção sobre o programa “Pacote de Entregas Pop Ciência 2026”. Na frente da mesa, há um painel da 78ª Reunião Anual da SBPC.

Na 78ª Reunião Anual, em Niterói, estudantes apresentaram pesquisas e mostraram que a ciência também é lugar de jovem.

Estudantes da educação básica apresentaram suas pesquisas na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói/RJ, cujo tema foi “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”. Para quem esteve lá, a mensagem foi clara: a ciência fica melhor quando mais gente participa dela, e isso começa cedo.

O que é a SBPC, o maior evento científico
A SBPC é o maior evento científico da América Latina. Em 2026, mobilizou um público de cerca de 50 mil pessoas, com um objetivo: difundir os avanços da ciência em diversas áreas do conhecimento para toda a população e debater políticas públicas nas áreas da ciência, tecnologia, inovação e educação. O encontro foi multidisciplinar e aconteceu na UFF, entre os dias 26 de julho e 1º de agosto e foi aberto ao público, e não só a sociedades acadêmicas.

Essa abertura faz diferença para os jovens. “Quando participamos desses eventos, principalmente a SBPC, que é aberta ao público e não só às sociedades acadêmicas, abre também os horizontes das juventudes que dele participam. Também somos tirados da nossa zona de conforto e colocados em situações que nos treinam não só para a vida acadêmica, mas para o jogo de cintura que a vida exige”, relata Samuel Oliveira, estudante da Etapa Avançado do Programa de Vocação Científica (PROVOC), que levou ao evento um jogo de RPG sobre sua pesquisa.

Como estudantes participam da SBPC Jovem?
Eles apresentaram seus trabalhos, na SBPC Jovem – espaço do encontro dedicado a estudantes e a crianças – tiraram dúvidas do público e conversaram com pessoas de diversos lugares do país. 
 

Pessoa organiza cartas e peças de um jogo educativo em uma mesa de exposição durante evento de divulgação científica. Ao fundo, há um monitor com informações da SBPC.

Yasmin Alves, do PROVOC Ceará, viajou ao Rio de Janeiro para expor, na SBPC Jovem, uma pesquisa sobre como a família influencia a saúde mental de adolescentes. “A Yasmin de 2024 não é a mesma de 2026. Viajar para o Rio de Janeiro para apresentar meu trabalho é uma experiência única! Eu pensava que a ciência era um local restrito, mas conheci uma ciência muito maior, que envolve pessoas, o psicológico, a sociedade e a inclusão. (...) Muitas vezes, a família coloca os jovens em um lugar pouco importante. Quero ampliar a discussão sobre cuidado e saúde para que outros jovens também sejam ouvidos e compreendidos. Hoje quero fazer Psicologia e cuidar de pessoas, mas também quero fazer ciência”, promete.

Por que levar estudantes da educação básica para dentro da universidade?
A SBPC aconteceu em uma universidade pública. Para Juana Nunes, diretora de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), isso muda a forma como o jovem se vê.

“Quando a gente abre a universidade para que o povo entre, com estudantes da escola pública, com professores, o menino que gosta de ciência (...) ele olha assim: ‘Pô, eu posso estar nessa universidade”, explica. Segundo ela, é preciso ter “pessoal da periferia, meninas, gente preta fazendo ciência”, para que a ciência seja inclusiva e comprometida com o social.

O então reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, lembra que a SBPC olha de forma especial para os jovens. “Para que as escolas venham, tenham contato com experimentos, com a grandiosidade da ciência brasileira e com os cientistas, e possam se inspirar”, diz. Para ele, a ciência é um instrumento da cidadania: “Tudo na vida depende de conhecimento, de ciência e tecnologia”.

O que a ciência ganha com a presença de jovens?
Para Marly Marques da Cruz, vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, a SBPC é um lugar a ser ocupado pela juventude, que já tem peso na divulgação científica. “Queremos que esses jovens estejam cada vez mais apropriados da ciência, iniciando na ciência cada vez mais cedo”, afirma. Ela defende que o aprendizado seja leve e agradável.

Mônica Felts, da Diretoria Científica do CNPq, vê na SBPC Jovem um movimento que se alimenta sozinho. “Quem participa se inspira a criar projetos em sua cidade e quem já desenvolve iniciativas quer compartilhar o que faz, dialogar e conhecer outras experiências”, defende Felts. O espaço fortalece quem já gosta de ciência e desperta o interesse de quem ainda não teve a chance. Para ela, o que está em jogo é a liberdade de escolher: “Quando não temos escolha, não temos liberdade”, conclui.

O que muda para quem conhece a ciência mais cedo
Participar de projeto de iniciação científica desde cedo não garante a ninguém permanecer na vida científica, mas pode contribuir em muitos aspectos da vida. Para Maria Clara Santarém, que entrou no PROVOC sem imaginar que trabalharia com insetos e hoje é tecnologista no Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), conta que, 21 anos depois, é o que ela gosta de fazer. “Aprender a fazer ciência é importante para todo mundo, independentemente da área profissional que cada pessoa vai seguir. Aprender a fazer perguntas, procurar respostas e pensar criticamente ajuda a compreender os processos que acontecem na nossa sociedade”, diz.
Essa é a aposta da SBPC ao abrir espaço para os jovens: quem aprende a perguntar cedo participa melhor das escolhas da vida em sociedade. 

Três pessoas observam e manuseiam materiais de uma exposição científica em um estande durante evento de divulgação da ciência: SBPC Jovem.
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