Encontro realizado pela Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro mostra o que estudantes de escolas públicas são capazes de fazer quando a pesquisa entra na sala de aula.
Bioplástico, hortas orgânicas, controle de resíduos, prevenção de enchentes. Esses foram alguns dos temas apresentados por mais de 200 estudantes da rede estadual do Rio de Janeiro, na quarta-feira (07/10), no 2º Encontro das Escolas de Iniciação Científica e Tecnológica (ICT), na Firjan, no Maracanã, Zona Norte do Rio. O evento reuniu escolas que oferecem o itinerário formativo de Iniciação Científica na educação básica.
Os trabalhos mostram que a iniciação científica (IC) pode acontecer dentro da escola e abordar problemas reais das comunidades. É isso que está em jogo quando se defende a ampliação da IC como itinerário formativo no ensino médio estadual. Hoje, apenas 17 escolas da rede oferecem esse modelo formativo e estimulam a investigação no ambiente escolar, além de fortalecer a criatividade, a autonomia e o pensamento crítico, aproximando jovens da pesquisa e de diferentes áreas do conhecimento.
Quanto ao encontro, o objetivo foi promover a troca de experiências e de práticas inovadoras, valorizar os programas das escolas, fortalecer a cultura científica entre estudantes e professores e ampliar a integração entre escola, universidade e sociedade. A programação teve palestras como "A relevância do itinerário de ICT frente à BNCC e à contemporaneidade" e "Juventude e Ciência: PROVOC, há 40 anos promovendo a iniciação científica no Ensino Médio".
“O Itinerário Formativo de Iniciação Científica e Tecnológica (ICT) proporciona aos estudantes uma formação que vai além da sala de aula, estimulando o pensamento científico, a criatividade, a inovação e o protagonismo juvenil. Por meio de atividades práticas, pesquisas e experimentos, os alunos são incentivados a investigar problemas, desenvolver projetos e propor soluções para desafios do cotidiano”, afirmou Rodrigo Souza, coordenador de Acompanhamento Escolar da Seeduc-RJ.
Ciência que protege o rio
Entre os projetos, o "Ecobarreira: Protegendo o Rio Carangola" ilustra o alcance da iniciativa. Desenvolvido por estudantes do Itinerário de Investigação Científica e Tecnologias Verdes do Colégio Estadual Francisco Portella, em Natividade, no Noroeste Fluminense, ele prevê a construção e a instalação de uma ecobarreira no rio, com garrafas PET, tela e cabo de aço.
“Nosso projeto consiste na construção e instalação de uma ecobarreira. A barreira tem como finalidade auxiliar na contenção e coleta de resíduos sólidos que são descartados ou chegam ao curso do rio, especialmente aqueles provenientes das margens, possibilitando uma ação prática de sensibilização para os impactos provocados pelo descarte inadequado de resíduos”, explicou o professor de Investigação Científica Randolpho Radsack, que orienta o trabalho junto com a professora Patrícia Ricardo, de Tecnologias Verdes.
Oportunidade que atravessa o estado
O 2º encontro das ICTs também ampliou o contato com áreas de interesse profissional e promoveu a troca de experiências entre outros jovens da rede. João Marcos, aluno do Colégio Estadual Rio Grande do Norte, em Volta Redonda, fala do quanto sua visão da ciência mudou.
“Eu fui entendendo que ciência é muito mais do que química, experimentos e laboratórios. Ciência é pesquisar, procurar fontes, consultar bibliografia e entender que um projeto precisa de tempo para ser desenvolvido. Não é simplesmente pensar em uma ideia e querer resolver tudo logo”, contou.
Levar a IC a mais unidades da rede é garantir que um estudante de Natividade, de Volta Redonda ou da capital tenha acesso à pesquisa já na educação básica. Oportunidades assim ainda dependem de mais escolas participarem dessa iniciativa.
“É preciso mais investimento, sem dúvida alguma. É preciso investir na ciência e, principalmente, estimular a iniciação científica no campo da educação básica”, avalia o professor Randolpho Radsack.
Como começou
O caminho até aqui tem um marco recente. Em 2022, o Colégio Estadual Rio Grande do Norte, em Volta Redonda, no Sul Fluminense, foi escolhido para o projeto-piloto para a implementação da IC em outras escolas da rede. A iniciativa nasceu de um seminário realizado, naquele ano, na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), com a coordenação do PROVOC.


